13/02/2017

CAVALEIRO SOLITÁRIO

               
            Existe um cavaleiro anônimo, que quase não é visto na cidade, ele é tido como ignorante, um matuto, que quase não tem nada na sua composição vestiaria.

                         Aos domingos ele sai pra tomar uns goles e afogar as magoas e frustrações que não foi ele quem plantou, mais como a vida lhe ensinou ele as colhe, e consegue transformar o gosto amargo da vida  em vinho tinto de sangue.

                     Esse homem de quem  eu falo,  tem tanta  coragem que chega a se igualar aos cavaleiros medievais, que com seus cavalos , armaduras e armas iam aos combates  sem saber se voltariam.

                        Essa coragem o homem  aqui citado tem muita, pois sem armaduras nem arma , ele trava uma batalha todos os  dias pra tirar da terra o sustento da sua família.

                   Quase sempre esse homem tem pequena estatura , é franzino como um camafeu mas de coragem como Davi .

                       Esse homem que trato como cavaleiro medieval é o ilustríssimo trabalhador rural.


                                        

                           WILSON ROBERTO DE ALMEIDA                        

17/01/2017

DISTRITO DE ALFREDO GUEDES ESTÁ PERDENDO SUA IDENTIDADE HISTÓRICA


                            Em muito trabalho no resgate da memória de nossos ancestrais, nossa região é rica como um todo em sua história, não podemos aqui falar da história de Botucatu sem citar São Manuel, Lençóis Paulista, Agudos, Bauru, Barra Bonita, Pontal do Paranapanema etc. e vice e versa, na verdade toda a região está interligada pela história, foi construída pelos desbravadores que acunharam os nomes através das trilhas abertas em matas, de tijolos sobrepostos um a um, da construção de cidadelas, igrejas, enfim, construíram todo o complexo que hoje conhecemos por cidades, municípios e distritos.


De encontro com a interligação histórica a povoação de Lençóis Paulista teve início em meados do século XIX, quando o sertanista mineiro, José Teodoro de Souza, fixou residência no local. Uma outra versão atribui a fundação a Francisco Alves Pereira que, desligando-se de uma caravana destinada a Goiás, explorou o rio, mais tarde chamado “Lençóis”, porque suas espumas brancas eram semelhantes a lençóis. O patrimônio do Bairro de Lençóis, no território de Botucatu, teve início com a construção da capela em louvor à Padroeira Nossa Senhora da Piedade, sendo elevado à Freguesia Distrito, em 1858. Poucos anos depois, 1865, foi elevado a Município. Por existir na Bahia uma localidade chamada Lençóis, mais antiga, sua denominação foi alterada em 1944, para Ubirama, escolhida em virtude da cana-de-açúcar ser cultivada em grande escala no Município. O primitivo nome foi novamente adotado em 1948, acrescentando-lhe “Paulista” para diferenciar da Cidade baiana.

Armazém em Alfredo Guedes - 1908


A Capela de São João de Areia Branca em 1918 cedeu o nome em homenagem a Alfredo Guedes ao córrego que margeava o local. O Distrito de Alfredo Guedes foi criado pelo decreto nº 6753, de 06-10-1934 e anexado ao município de Lençóis, lugar prospero para sua época tinha cartório, estação ferroviária, farmácia e muitos estabelecimentos comerciais.

A imagem esculpida de São Bom Jesus data de 1926 foi restaurada e hoje se encontra exposta no Memorial Alfredo Guedes. No entanto o distrito antes era denominado de São João Areia Branca que teve sua Estação Ferroviária construída em 1898.

Quem não conhece deveria, é um local que nos remete a história de nossos antepassados, muito bem preservado lindo, aprazível, passível de nos remeter ao mais distante passado, local bem preservado.

No entanto, infelizmente ao longo dos anos vem sofrendo a depredação histórica que acompanha aos ignorantes que infelizmente não cultuam e respeitam a memória dos antepassados. Pessoas desprovidas de valor do resgate de memória que assombram a cada investida a desmoralização e dilapidação do acervo da própria sociedade, como se soçobrassem pela própria convicção medíocre e mesquinha, inebriados pela fumaça que fazem sem objetivo algum.

A dilapidação histórica começa na década de 80 onde foram arrancadas todas as arvores da Praça do Bom Jesus que era a característica de toda praça antiga, sem um estudo programado, arvores, algumas centenárias, foram dizimadas sem sobrar uma que fosse testemunha do melancólico assassinato da história. No mesmo período se foram os lindos postes e pedestais trabalhados com os originais globos de iluminação estes davam à paisagem ares de verdadeiras cenografias de novelas de época.

Recentemente, o mais ilustre nome da história de Alfredo Guedes foi soterrado no processo de municipalização do ensino, sufocaram o nome da dedicada Professora Cecília Marins Bosi, formadora de opinião, esposa do Dr. Gino Bosi este farmacêutico da localidade nos anos 30, destinando-a ao esquecimento. Dona Cecilia, já lecionava para as crianças do lugar muito antes da construção da escola, em barracões de tábua onde agregava seus alunos e exercia com maestria seu magistério.

Certamente uma mulher cuja a garra e o sacerdócio lhe trouxeram a qualificação para a justa homenagem. Excluindo assim a identidade de todos os alunos que por ali passaram. Com a atitude houve a unificação das duas escolas pertencentes a Alfredo Guedes, o infantil que se chamava Philomena Briquesi Boso e o fundamental que tinha como nomenclatura E.E.P.G. Cecília Marins Bosi, dessa fusão apagaram a memória de Dona Cecília, deixando uma lacuna instransponível no tempo e na realidade histórica guedense. Foi uma das mais marcantes ingratidões já registradas no contexto lençoense.    

Como se não bastasse a falta de sensibilidade das autoridades, houve também a dilapidação dos moveis históricos, antigos, que compunham a sala de espera e a diretoria da escola, lá haviam, a mesa de centro, porta chapéu com espelho, escrivaninha, todos bem conservados e sumiram, devo salientar que tais móveis seriam destaques no acervo do Memorial Alfredo Guedes.      

Existem rumores fortes de mais uma mutilação da história em Alfredo Guedes, o asfaltamento das ruas, não me parece uma opção acertada vez que tal empreendimento ira descaracterizar um local tão importante na história de nossa região. Muitas pessoas ligadas as pesquisas e história de nossa região não estão vendo com bons olhos esta atitude.

O asfaltamento embora um benefício, trará mais um enterro sobre os paralelepípedos que há muito traduzem a existência de um dos poucos lugares agradáveis, que poderia e muito ser explorado pelo turismo.

O Distrito Alfredo Guedes tem uma característica soberba sobre o manto do tempo que não pode ser apagada desta forma. Devemos preservar e não dilapidar, esta é a máxima, imagine Ouro Preto toda asfaltada, seria um descalabro.


Assim devo rogar à sensibilidade do Prefeito de Lençóis Paulista Anderson Prado de Lima e do seu Diretor de Bairro JR. Ticianelli. Ao prefeito local entendo ser pessoa dotada do mais puro bom senso, embora não o conheça tenho boas recomendações sobre o mesmo.


Senhor Prefeito é sua chance de resgatar a memória desta localidade, nesta linha eu como pesquisador histórico Eduardo Delamonica, já efetivei diversas incursões ao Distrito de Alfredo Guedes, onde constatei o que estou dizendo aqui.

A mim não é reservado tão somente o grito solitário, muitos aqui clamam por esta avaliação, como de pessoas importantes que entendem que esta história não pode ser enterrada simplesmente com uma camada de piche, devo evidenciar aqui o apoio a este protesto da Vereadora de Lençóis Paulista senhora Mirna Justo, a pesquisadora de Alfredo Guedes senhora Celia Motta a Equipe Aventureiros do Túnel o Senhor Waldemar Bicudo, ainda serão pedidos os apoios que certamente ouvirão nossos gritos do pesquisador de Botucatu João Figueroa ao Professor Doutor Edson Fernandes ao Senhor Thiago Melego dono do Site Área 14 e mais pesquisadores de toda a região. Será uma manifestação de apoio que tem como base a preservação histórica do Distrito de Alfredo Guedes.


Ao prefeito de Lençóis Paulista fica aqui nosso pedido, não asfalte um tesouro histórico que este município tem.     

21/11/2016

MANDRÁGORAS - POR CÉLIA MOTTA


Eis que o sol se recolhe e desce firme a escuridão.  Enxergo-me dentro de seus olhos e sinto a minha alma na palma das suas mãos. Nossos corações sabem que cruzaremos um portal único, rumo ao passado. Ao nosso passado. Ao nosso lugar.
Nossos sentidos serão todos despertados ao mesmo tempo pela sua alma! E pela alma minha! Cumplicidade extrema! Mágica! Passos incertos nos conduzem à diáfana e tênue muralha, cortina dos tempos, e conseguimos avistar lampejos de uma estranha luz. Encontramos o nosso portal... E ousamos atravessá-lo... estranhas luzes se mostram agora aos nossos sedentos olhos e ansiosos corpos. Nostálgica e lúdica lembrança reaviva-se em nós e entregamo-nos ao estranho campo de flores azuis e folhas iluminadas; forte odor encantado nos alucina e transporta-nos em velocidade desconhecida, para longínquas memórias de amor e súplicas.
Vejo magos!
Você contempla místicas ninfas!
E eles entonam misteriosas melodias gesticulando à nossa volta, meninas em asas de borboletas! Vozes gregorianas em um mantra sedutor! Santa heresia!
Sentimos abruptamente a necessidade do contato com a terra mãe! Terra que tudo abriga! Terra que guarda vivos e mortos! Terra do bem! Terra do mal!
O forte e inebriante odor intensifica-se à medida em que nos abaixamos para beijar e reverenciar a nossa terra. Nossas almas se desprendem de nossos corpos que dançam o mantra respirando delicados ópios, e voa... Voa... Espíritos girantes em desordenada pulsação.
Sentimos o contato úmido e abençoado da mãe natureza que tudo vê e tudo sabe; agora conseguimos ver a luminosidade dos caules das sutis flores azuis: são mandrágoras florescendo e tocando as nossas pedintes e suplicantes mãos espirituais. Mandrágoras vivas! Raízes mágicas que se misturam aos nossos seres.
O êxtase aproxima-se de nós e estamos iluminados pelas folhas de mandrágora em luz, estamos absorvidos e engolidos pelo odor das mandrágoras em vivo furor. As raízes encantadas e parcialmente humanas reverenciam a natureza e desenterram-se em loucos movimentos.
Explodimos na intensidade do ponto exato onde encontram-se “o tudo” e “o nada”, o ponto onde cruzam-se as trevas e a luz, as maldições e as bênçãos divinais! O início e o fim! Já não nos importa o certo ou o errado, posto que não existe. Já não se separa quem sou eu e quem é você, posto que somos um a misturar-se com as profundas e profanas raízes de mandrágoras, mestras dos portais da alma...
Vemos um céu violeta que a ofuscar a paisagem negra da noite florescendo mandrágoras azuis; tudo brilha e vive!
Ouvimos os ensurdecedores gritos das raízes que vivem no campo mágico, misturando-se às nossas almas;
Sua pele! Minha pele! Tudo são raízes! E as raízes somos nós! Envolvidos e revestidos da úmida e sagrada terra; desenterrando tudo de nós e das mandrágoras mestras;
O forte odor das raízes que gritam, agora nos parece suave perfume a rodopiar em ciranda e comunhão conosco; toda a paisagem muda de lugar invertendo espaços e vertendo sonhos;
Percebemos sabores de nossas bocas, desconhecidos até então!
Simbiose alucinógena em mandrágoras a florescer tons de azuis...
Sedação de perfumes de mandrágoras em ópios que flutuam...
Rituais de almas amantes e suplicantes às mandrágoras de memórias medievais...
Banhados pela lua em céus de violeta a cobrir-nos, nós e as mandrágoras...
Renascidos e cúmplices de tantos segredos mágicos! De tantos tempos passados!
Guardiões de secretos campos!
Ouvintes de ninfas e magos! Desfazendo-se em amor!


CÉLIA MOTTA

PATRIOTA POR WILSON ROBERTO DE ALMEIDA




                Num passado não muito distante, crianças levavam a mão ao peito pra cantar o hino nacional, Hoje a mão é levada ao peito pra dizer (é nois na fita, é nois mano).
                     O hino mais cantado é o hino do Corinthians, e a música mais cantada e dançada é o funk.             
              O hino Nacional não é cantado ele é murmurado.     

              Tudo isso veio guardado dentro de um pacote cheio de engodos com o nome de DEMOCRACIA PLENA E ABSOLUTA.



                                                                                        Wilson Roberto de Almeida

18/10/2016

GUARDIÕES DA SABEDORIA:

            

              
 

           
Já houve um tempo onde essas pessoas eram chamadas de mestres.   Pessoas que davam tudo de si pela cultura de um povo, eles iniciavam as crianças para a vida. De mestres passaram a meros funcionários públicos que com seus míseros vencimentos tentam viver com dignidade.A profissão tida como a mais nobre, e a mais pobre, esses profissionais formam médicos, engenheiros intelectuais e mais uma infinidade de profissionais, e quando se aposentam na maioria das vezes recebendo patacões ( moeda imperial ) como ajuda de custo.O Rei e seus agregados esquecem que eles um dia foram iniciados na vida por esses guardiões da cultura.Esses semeadores de cultura, e colhedores de ingratidão.         

                                    

                                               
                                                                WILSON  ROBERTO DE ALMEIDA