13/02/2017

FAZENDA ÁGUA VERMELHA E SÃO JOÃO DO ARAQUÁ(SALLES) 2017

   Em visita ao município de São Manuel o Senhor Fábio Roberto Vioto passeou e registrou momentos nas fazendas Água Vermelha e  São João do Araquá conhecida como também em fazenda Salles.

      A Fazenda São João do Araquá tem como codinome de Salles em virtude da família de Campinas Salles que no começo do século passado veio para São Manuel, a Família Salles teve pessoas emblemáticas em sua composição. Fernão Salles, nascido em Campinas, que foi o primeiro a cair na revolução de 1932, foi um dos primeiros a ser assassinado pelas tropas do tirano Getúlio Vargas, tem também o Senhor Rubens de Moraes Salles, nascido em São Manuel, que foi um dos maiores jogadores de futebol no começo do século passado, jogando pelo Clube Atlético Paulistano, tornando-se o primeiro Técnico da Seleção Brasileira de Futebol e também do São Paulo Futebol Clube.

    

FAZENDA ÁGUA VERMELHA
 
CAPELA

CARPINTARIA

 CASA DA SEDE


CASA DOS PROPRIETÁRIOS 

GALPÃO DE ARMAZENAMENTO 

Pátio de Secagem - Máquinas (Processamento - Despolpamento) 


 Pátio de Secagem de Café 




  FAZENDA SÃO JOÃO DO ARAQUÁ (SALLES)

 PLACA DE ENTRADA DA FAZENDA

CAPELA

 PÁTIO DE SECAGEM DE CAFÉ

GALPÃO DE ARMAZENAGEM DE CAFÉ 


PÁTIO DE SECAGEM DE CAFÉ



 CASA DA SEDE

GUARDIÕES DA SABEDORIA

Já houve um tempo onde essas pessoas eram chamadas de mestres.                   

Pessoas que davam tudo de si pela cultura de um povo, eles iniciavam as crianças para a vida.


 De mestres passaram a meros funcionários públicos que com seus míseros vencimentos tentam viver com dignidade.

A profissão tida como a mais nobre, e a mais pobre, esses profissionais formam médicos, engenheiros intelectuais e mais uma infinidade de profissionais, e quando se aposentam na maioria das vezes recebendo patacões (moeda imperial) como ajuda de custo.

O Rei e seus agregados esquecem que eles um dia foram iniciados na vida por esses guardiões da cultura.


Esses semeadores de cultura, são hoje colhedores de ingratidão.        

                WILSON  ROBERTO DE ALMEIDA                                      

17/01/2017

DISTRITO DE ALFREDO GUEDES ESTÁ PERDENDO SUA IDENTIDADE HISTÓRICA


                            Em muito trabalho no resgate da memória de nossos ancestrais, nossa região é rica como um todo em sua história, não podemos aqui falar da história de Botucatu sem citar São Manuel, Lençóis Paulista, Agudos, Bauru, Barra Bonita, Pontal do Paranapanema etc. e vice e versa, na verdade toda a região está interligada pela história, foi construída pelos desbravadores que acunharam os nomes através das trilhas abertas em matas, de tijolos sobrepostos um a um, da construção de cidadelas, igrejas, enfim, construíram todo o complexo que hoje conhecemos por cidades, municípios e distritos.


De encontro com a interligação histórica a povoação de Lençóis Paulista teve início em meados do século XIX, quando o sertanista mineiro, José Teodoro de Souza, fixou residência no local. Uma outra versão atribui a fundação a Francisco Alves Pereira que, desligando-se de uma caravana destinada a Goiás, explorou o rio, mais tarde chamado “Lençóis”, porque suas espumas brancas eram semelhantes a lençóis. O patrimônio do Bairro de Lençóis, no território de Botucatu, teve início com a construção da capela em louvor à Padroeira Nossa Senhora da Piedade, sendo elevado à Freguesia Distrito, em 1858. Poucos anos depois, 1865, foi elevado a Município. Por existir na Bahia uma localidade chamada Lençóis, mais antiga, sua denominação foi alterada em 1944, para Ubirama, escolhida em virtude da cana-de-açúcar ser cultivada em grande escala no Município. O primitivo nome foi novamente adotado em 1948, acrescentando-lhe “Paulista” para diferenciar da Cidade baiana.

Armazém em Alfredo Guedes - 1908


A Capela de São João de Areia Branca em 1918 cedeu o nome em homenagem a Alfredo Guedes ao córrego que margeava o local. O Distrito de Alfredo Guedes foi criado pelo decreto nº 6753, de 06-10-1934 e anexado ao município de Lençóis, lugar prospero para sua época tinha cartório, estação ferroviária, farmácia e muitos estabelecimentos comerciais.

A imagem esculpida de São Bom Jesus data de 1926 foi restaurada e hoje se encontra exposta no Memorial Alfredo Guedes. No entanto o distrito antes era denominado de São João Areia Branca que teve sua Estação Ferroviária construída em 1898.

Quem não conhece deveria, é um local que nos remete a história de nossos antepassados, muito bem preservado lindo, aprazível, passível de nos remeter ao mais distante passado, local bem preservado.

No entanto, infelizmente ao longo dos anos vem sofrendo a depredação histórica que acompanha aos ignorantes que infelizmente não cultuam e respeitam a memória dos antepassados. Pessoas desprovidas de valor do resgate de memória que assombram a cada investida a desmoralização e dilapidação do acervo da própria sociedade, como se soçobrassem pela própria convicção medíocre e mesquinha, inebriados pela fumaça que fazem sem objetivo algum.

A dilapidação histórica começa na década de 80 onde foram arrancadas todas as arvores da Praça do Bom Jesus que era a característica de toda praça antiga, sem um estudo programado, arvores, algumas centenárias, foram dizimadas sem sobrar uma que fosse testemunha do melancólico assassinato da história. No mesmo período se foram os lindos postes e pedestais trabalhados com os originais globos de iluminação estes davam à paisagem ares de verdadeiras cenografias de novelas de época.

Recentemente, o mais ilustre nome da história de Alfredo Guedes foi soterrado no processo de municipalização do ensino, sufocaram o nome da dedicada Professora Cecília Marins Bosi, formadora de opinião, esposa do Dr. Gino Bosi este farmacêutico da localidade nos anos 30, destinando-a ao esquecimento. Dona Cecilia, já lecionava para as crianças do lugar muito antes da construção da escola, em barracões de tábua onde agregava seus alunos e exercia com maestria seu magistério.

Certamente uma mulher cuja a garra e o sacerdócio lhe trouxeram a qualificação para a justa homenagem. Excluindo assim a identidade de todos os alunos que por ali passaram. Com a atitude houve a unificação das duas escolas pertencentes a Alfredo Guedes, o infantil que se chamava Philomena Briquesi Boso e o fundamental que tinha como nomenclatura E.E.P.G. Cecília Marins Bosi, dessa fusão apagaram a memória de Dona Cecília, deixando uma lacuna instransponível no tempo e na realidade histórica guedense. Foi uma das mais marcantes ingratidões já registradas no contexto lençoense.    

Como se não bastasse a falta de sensibilidade das autoridades, houve também a dilapidação dos moveis históricos, antigos, que compunham a sala de espera e a diretoria da escola, lá haviam, a mesa de centro, porta chapéu com espelho, escrivaninha, todos bem conservados e sumiram, devo salientar que tais móveis seriam destaques no acervo do Memorial Alfredo Guedes.      

Existem rumores fortes de mais uma mutilação da história em Alfredo Guedes, o asfaltamento das ruas, não me parece uma opção acertada vez que tal empreendimento ira descaracterizar um local tão importante na história de nossa região. Muitas pessoas ligadas as pesquisas e história de nossa região não estão vendo com bons olhos esta atitude.

O asfaltamento embora um benefício, trará mais um enterro sobre os paralelepípedos que há muito traduzem a existência de um dos poucos lugares agradáveis, que poderia e muito ser explorado pelo turismo.

O Distrito Alfredo Guedes tem uma característica soberba sobre o manto do tempo que não pode ser apagada desta forma. Devemos preservar e não dilapidar, esta é a máxima, imagine Ouro Preto toda asfaltada, seria um descalabro.


Assim devo rogar à sensibilidade do Prefeito de Lençóis Paulista Anderson Prado de Lima e do seu Diretor de Bairro JR. Ticianelli. Ao prefeito local entendo ser pessoa dotada do mais puro bom senso, embora não o conheça tenho boas recomendações sobre o mesmo.


Senhor Prefeito é sua chance de resgatar a memória desta localidade, nesta linha eu como pesquisador histórico Eduardo Delamonica, já efetivei diversas incursões ao Distrito de Alfredo Guedes, onde constatei o que estou dizendo aqui.

A mim não é reservado tão somente o grito solitário, muitos aqui clamam por esta avaliação, como de pessoas importantes que entendem que esta história não pode ser enterrada simplesmente com uma camada de piche, devo evidenciar aqui o apoio a este protesto da Vereadora de Lençóis Paulista senhora Mirna Justo, a pesquisadora de Alfredo Guedes senhora Celia Motta a Equipe Aventureiros do Túnel o Senhor Waldemar Bicudo, ainda serão pedidos os apoios que certamente ouvirão nossos gritos do pesquisador de Botucatu João Figueroa ao Professor Doutor Edson Fernandes ao Senhor Thiago Melego dono do Site Área 14 e mais pesquisadores de toda a região. Será uma manifestação de apoio que tem como base a preservação histórica do Distrito de Alfredo Guedes.


Ao prefeito de Lençóis Paulista fica aqui nosso pedido, não asfalte um tesouro histórico que este município tem.     

21/11/2016

MANDRÁGORAS - POR CÉLIA MOTTA


Eis que o sol se recolhe e desce firme a escuridão.  Enxergo-me dentro de seus olhos e sinto a minha alma na palma das suas mãos. Nossos corações sabem que cruzaremos um portal único, rumo ao passado. Ao nosso passado. Ao nosso lugar.
Nossos sentidos serão todos despertados ao mesmo tempo pela sua alma! E pela alma minha! Cumplicidade extrema! Mágica! Passos incertos nos conduzem à diáfana e tênue muralha, cortina dos tempos, e conseguimos avistar lampejos de uma estranha luz. Encontramos o nosso portal... E ousamos atravessá-lo... estranhas luzes se mostram agora aos nossos sedentos olhos e ansiosos corpos. Nostálgica e lúdica lembrança reaviva-se em nós e entregamo-nos ao estranho campo de flores azuis e folhas iluminadas; forte odor encantado nos alucina e transporta-nos em velocidade desconhecida, para longínquas memórias de amor e súplicas.
Vejo magos!
Você contempla místicas ninfas!
E eles entonam misteriosas melodias gesticulando à nossa volta, meninas em asas de borboletas! Vozes gregorianas em um mantra sedutor! Santa heresia!
Sentimos abruptamente a necessidade do contato com a terra mãe! Terra que tudo abriga! Terra que guarda vivos e mortos! Terra do bem! Terra do mal!
O forte e inebriante odor intensifica-se à medida em que nos abaixamos para beijar e reverenciar a nossa terra. Nossas almas se desprendem de nossos corpos que dançam o mantra respirando delicados ópios, e voa... Voa... Espíritos girantes em desordenada pulsação.
Sentimos o contato úmido e abençoado da mãe natureza que tudo vê e tudo sabe; agora conseguimos ver a luminosidade dos caules das sutis flores azuis: são mandrágoras florescendo e tocando as nossas pedintes e suplicantes mãos espirituais. Mandrágoras vivas! Raízes mágicas que se misturam aos nossos seres.
O êxtase aproxima-se de nós e estamos iluminados pelas folhas de mandrágora em luz, estamos absorvidos e engolidos pelo odor das mandrágoras em vivo furor. As raízes encantadas e parcialmente humanas reverenciam a natureza e desenterram-se em loucos movimentos.
Explodimos na intensidade do ponto exato onde encontram-se “o tudo” e “o nada”, o ponto onde cruzam-se as trevas e a luz, as maldições e as bênçãos divinais! O início e o fim! Já não nos importa o certo ou o errado, posto que não existe. Já não se separa quem sou eu e quem é você, posto que somos um a misturar-se com as profundas e profanas raízes de mandrágoras, mestras dos portais da alma...
Vemos um céu violeta que a ofuscar a paisagem negra da noite florescendo mandrágoras azuis; tudo brilha e vive!
Ouvimos os ensurdecedores gritos das raízes que vivem no campo mágico, misturando-se às nossas almas;
Sua pele! Minha pele! Tudo são raízes! E as raízes somos nós! Envolvidos e revestidos da úmida e sagrada terra; desenterrando tudo de nós e das mandrágoras mestras;
O forte odor das raízes que gritam, agora nos parece suave perfume a rodopiar em ciranda e comunhão conosco; toda a paisagem muda de lugar invertendo espaços e vertendo sonhos;
Percebemos sabores de nossas bocas, desconhecidos até então!
Simbiose alucinógena em mandrágoras a florescer tons de azuis...
Sedação de perfumes de mandrágoras em ópios que flutuam...
Rituais de almas amantes e suplicantes às mandrágoras de memórias medievais...
Banhados pela lua em céus de violeta a cobrir-nos, nós e as mandrágoras...
Renascidos e cúmplices de tantos segredos mágicos! De tantos tempos passados!
Guardiões de secretos campos!
Ouvintes de ninfas e magos! Desfazendo-se em amor!


CÉLIA MOTTA

PATRIOTA POR WILSON ROBERTO DE ALMEIDA




                Num passado não muito distante, crianças levavam a mão ao peito pra cantar o hino nacional, Hoje a mão é levada ao peito pra dizer (é nois na fita, é nois mano).
                     O hino mais cantado é o hino do Corinthians, e a música mais cantada e dançada é o funk.             
              O hino Nacional não é cantado ele é murmurado.     

              Tudo isso veio guardado dentro de um pacote cheio de engodos com o nome de DEMOCRACIA PLENA E ABSOLUTA.



                                                                                        Wilson Roberto de Almeida

18/10/2016

GUARDIÕES DA SABEDORIA:

            

              
 

           
Já houve um tempo onde essas pessoas eram chamadas de mestres.   Pessoas que davam tudo de si pela cultura de um povo, eles iniciavam as crianças para a vida. De mestres passaram a meros funcionários públicos que com seus míseros vencimentos tentam viver com dignidade.A profissão tida como a mais nobre, e a mais pobre, esses profissionais formam médicos, engenheiros intelectuais e mais uma infinidade de profissionais, e quando se aposentam na maioria das vezes recebendo patacões ( moeda imperial ) como ajuda de custo.O Rei e seus agregados esquecem que eles um dia foram iniciados na vida por esses guardiões da cultura.Esses semeadores de cultura, e colhedores de ingratidão.         

                                    

                                               
                                                                WILSON  ROBERTO DE ALMEIDA

19/08/2016

HOSPITAL DE SÃO MANUEL - UMA HISTÓRIA SEM FIM

“E foi assim que, ás 2 horas da tarde desse 20 de setembro de 1903, na sala de conferencia da Irmandade São Vicente de Paulo, Igreja Matriz, reuniu-se um punhado de cidadãos amigos de sua terra, beneméritos de sua gente para tornar em realidade o sonho de há muito acalentado.” Trecho retirado do jornal são-manuelense A Folha sobre matéria escrita do hospital em 1 de janeiro de 1932, naquela tarde, de 1903, reuniram-se os senhores Vicente Soares, Dr. Jose Augusto Pereira e Rezende, Frederico da Mota Macedo, Benjamim Lobo, Roque Godinho, Jose da Cunha Pompeu, Luis Augusto de Campos Melo, Vitorino Barbosa Junior, Dr. Luiz Augusto Teixeira de Assunção, Francisco Egídio do Amaral, Dr. Godofredo Winken, Antonio Manoel Garcia Braga, Plínio Caneple, Porfírio Antunes Oliveira, João Lourenço de Siqueira, por procuração foram representados os senhores Francisco Salles, Dr. João Paulo Correia de Oliveira, Inácio Pupo, e Antônio Emídio de Barros.
Tal reunião presidida a época por Luiz Teixeira de Assunção que no momento expos os motivos: “(...) fundar um estabelecimento de caridade, cuja a falta São Manuel se ressentia enormemente e não poderia mais prescindir.” Assim foi imediatamente aprovado e escolhido o nome nesta reunião ficou Casa Pia São Vicente de Paulo. O presidente Dr. Assunção que já em muitas reuniões da irmandade na sala de conferencia “passou a ler o projeto de estatutos por ele cuidadosamente organizado com carinho que costumava a emprestar a todas as reuniões”. Foi eleita a primeira diretoria do hospital que foi: Presidente Dr. Luiz Teixeira de Assunção; Vice-presidente Dr. Jose A. Pereira de Rezende; Secretário Dr. João Paulo C. de Oliveira; Tesoureira Frederico da Mota Macedo; Provedor Manuel Garcia Braga.           

Desta forma foi criado um livro de ouro para angariar fundos para a construção do hospital onde ficou consignado neste os doadores de grandes porções em dinheiro como: Vicente Soares de Barros, Francisco Egídio do Amaral, Manuel Garcia Braga, Barros & Cia, Antônio Martins, Frederico da Mota Macedo, José Sampaio Góes, Ignácio da Silveira Pupo, Salles Toledo & Cia, Coronel Virgílio Rodrigues Alves, Conselheiro Francisco de Paula Rodrigues Alves, H. de Almeida Pirca, Lupércio T. de Camargo, João Sampaio, Luiz A. Teixeira de Assunção, Vitor Martins de Almeida, Elizeu Augusto Teixeira, Alice Martins de Almeida, Marina Martins de Almeida, Dulce Marins de Almeida, José de Meira Leite, Sebastiana L de Barros, Dr. G. M. de Almeida e João Evangelista da Cruz.
Ao começar esta maravilhosa história pelo meio demonstramos que cidadãos de São Manuel se pautam e sempre se pautaram pela constante construção da cidade, na verdade a saga do hospital do município foi idealizada desde os primórdios. A Irmandade São Vicente de Paulo oficializou realmente este desejo na data de 20 de setembro de 1903, no entanto tal esforço começou muito antes no longínquo ano de 1896, neste período a cidade possuía uma população substancial com aproximadamente quatrocentas residências, com mais de dois mil habitantes morando na cidade e com um número maior de pessoas morando na zona rural.
Com a crescente colonização das terras foi sugerido pelo Doutor Eliakim Tavares Ferrão a construção de um hospital na cidade. Tal sugestão foi descrita em um manifesto subscrito por Eliakim, Doutor João Nogueira Jaguaribe e Raul da Silva que colocava a ideia e pedia recursos para o feito, o que foi prontamente atendido pela sociedade, a circular emitida por estes cidadãos dizia:
CIRCULAR
Illm. E Exm. Sr.
Os abaixo assignados, convictos da necessidade de ser construído nesta cidade, um prédio para nelle serem tratados os enfermos, sem excepção de nacionalidades, que por falta de recursos não tenham agasalho regular e nem meios de tratamento, isto é uma CASA DE MISERICORDIA – tomam a liberdade de dirigir-se á V. Ex.,pedindo um auxílio, quer seja em dinheiro, ou em materiaes, afim de ser levada a realidade a idéa, cuja a importância os abaixo assignados deixam ao esclarecimento critério de V. Ex. Outro sim, como não existiam subscrições, esperam os abaixo assignados, que V. Ex. se dignará depositar em mãos sod Srs. Garcia Braga & Cmp., Toledo & Irmão, Frederico da Motta Macedo, Oliveira & Barros ou Sanseverino & Oliva a quantia com a qual o espirito caridoso de V. Ex. quizer concorrer para aquelle humanitário fim, devendo os materiaes serem entregues a qualquer  dos abaixo assignados; é isto até o dia 30 de Dezembro, visto desejarem dar começo á construção nos princípios do anno próximo.”.        
 Logo a Irmandade Casa Pia recebia donativos em dinheiro, carros de pedras e terras, os funcionários da Cia Sorocabana também ajudaram neste intuído enviando por telegrafo a todos o seguinte: “SR.
Communico-vos que, com meus colegas de escriptorio, vamos iniciar um abaixo assignado que percorrerá até o Porto Martins, isto é, no percirso comprehendido  da linha São Manoel.
O fim desse abaixo assinado é angariar uma somma qualquer para a Casa Pia- A nossa Santa Casa.
Em occasião oportuna avisar-vos-hei sobre o resultado obtido e nessa ocasião escolheremos de nossos colegas, um, para fazer a entrega das assignaturas a illustre Commissão da Santa Casa.   
Com estimas e etc.
Benedito Dias Dos Santos
Telegraphista Bagageiro”

A imprensa de São Manuel através do Jornal O Município que tinha como redator o Dr João Nogueira Jaguaribe publica 11 de novembro de 1896 um manifesto em primeira página transcrito pelo senhor Raul da Silva que aduzia:
“APELLO AO POVO
SOCORRO AOS INFELIZES
HOSPITAL DE MIZERICORDIA

Com o intuito humanitário de minorar os padecimentos dos deserdados da fortuna, fazemos hoje um appello aos generosos corações dos habitantes deste município esperando que não sejam infrutíferos os esforços quando compungidos pelos sofrimentos alheios pedindo que nos auxiliem, vindo cooperar na piedosa obra de caridade.
Há muito já que se salienta em S. Manoel do Paraizo a necessidade de creação de um estabelecimento de caridade para o tratamento de enfermos pobres; e, na compreensão a mais absoluta de tal necessidade, o cidadão Eliakim Tavares Ferrão lembrou a idéa de se erigir uma casa em logar apropriado e em condições de satisfazer a hygiene, encarregando-nos de dar puplicidade á sua boníssima idéa; e, nós, embora incompententes e obscuros publicistas, abraçámos fervorosamente o projecto do cidadão Eliakim e contribuiremos com a melhor boa intenção para tal se torne realidade.
Em circulares dirigidas pessoalmente a todos os habitantes do município de cidadão Eliakim, serão expostos não só o plano do edifício a construir, como também o modo pelo qual será levado a efeito aquelle desideratum.
Estamos certos de que, nem um dos dignos cavalheiros componentes desta briosa, patriótica, illustrada, distincta e benemérita sociedade são manuelense se recusará a prestar o seu valiosíssimo concurso para a realização da meretisima ideia.
(Pedaço multildado)... que se acham os indivíduos enfermos que tiravam apenas de seu trabalho quotidiano o indispensável á subsistência de sua família; quantas vezes dentro de uma habitação (...) se desenrola o quadro pungentíssimo de uma família inteira padecendo os horrores da nudez e da fome, porque o chefe dessa família, o pai d´umas creanças que ali estão abandonadas a mais pavorosa penúria, se acham enfermo em triste e miserável leito curtindo dores e coberto por negros farrapos!!!. E tudo isso porque!? Porque apesar de todo o nosso progresso moral e material ninguém cogitou de fazer suavizar os padecimentos desses infelizes!!.
O quadro de vimos de pintar, não é uma ficção para calar vossas almas, é pelo contrário um desenho simplesmente verdadeiro e que vos podeis observar de si se penetrardes nas rusticas choupanas onde a indigência fez sua morada permanente.
Além disso, quantos factos idênticos se realizam, neste município e que passam inteiramente ignorados por toda população? Quantos padeceram, padecem e padecerão as maiores privações porque não temos hospital!?
Nas fazendas mesmo que em geral os fazendeiros são compassivos e dedicados pelos seus colonos, nem sempre os enfermos têm os recursos médicos nos momentos graves, nem tampouco a hygiene imprescindivel.
Ora, si tivermos um hospital de caridade próximo de recursos e entregue a uma direção solícita, poderemos indubitavelmente descansar em relação a sorte que terão os nossos enfermos pobres.
Por isso e mais porque confiamos em absoluto na magnanimidade dos corações dos habitantes desta comarca, fazemos o presente appello de que pobres e ricos trarão sua pedra para a confecção do hospital de misericórdia, que será para os vindouros uma página (...) do caratês altruístico do actual povo são manuelense.”
Devemos aqui informar que os idealizadores da campanha pleitearam verbas Junto ao Congresso do Estado que no primeiro momento não foi atendido, a propositura em incluir a construção da casa de misericórdia na votação do orçamento caiu em terceira votação, “o que é de lastimar porque as eleições, apresentando-se tanta gente interessada no seu resultado, nos auxílios a localidade e as instituições de caridade nada faz.” Comentário do Jornal O Munícipio em 13 dezembro de 1896 ressaltando ainda que Botucatu obteve para o mesmo fim um montante de “vinte contos”, no entanto no ano seguinte em 1897 conseguiram a tão desejada verba de cinco contos de reis.
Criada a Irmandade São Vicente de Paulo onde seus membros percorreram toda a extensão do município a cavalo, a pé e de trole conseguindo donativos para fazer caixa para o início das obras, no mesmo ano houve uma crise do café e uma sensível baixa de preços, assim com esta crise e sendo São Manuel um dos maiores plantadores de café do Estado o sonho foi protelado e retomado em 1903.
Em 1903 a irmandade já tinha o suficiente para a construção da Casa Pia, na época o senhor Ignácio Pupo fez a doação de todo o madeiramento para a feitura da obra. 
O Hospital da Casa Pia de São Manuel foi inaugurado em 19 de agosto de 1906, através de uma procissão que percorria as ruas da cidade trazendo no andor a imagem de São Vicente de Paulo, nobre padroeiro do local.
  
 FOTOS DA PROCISSÃO E INAUGURAÇÃO DO 1º HOSPITAL 1906

 
  
  
 
 

 Foi no período uma grande conquista para o município. Seu primeiro paciente foi Constantino J. Mattos, com afecção broncopnemônica recebendo alta treze dias após sua internação.”Foi assim que, entre os receios da morte que o mal lhe sugeria e as venturas do restabelecimento da saúde, o Constantino inaugurava, dando provas de sua eficiência, o primeiro estabelecimento hospitalar de S. Manoel” Jornal A Folha 1 de janeiro de 1932

A direção do hospital foi entregue ao Dr. Joaquim Baptista da Costa que era um renomado médico da época que residia no município desde 1892, o corpo clinico da instituição era composto pelos senhores Dr. Godofredo Winken, Dr. Cincinato Pamponet, Dr. Ernesto Criciúma de Figueiredo. Dr. Jose Augusto Pereira de Rezende, Dr. Júlio Attilio Salarolli e Dr. Braz Imparato. Sucedendo ao Dr. Joaquim Baptista da Costa, assumiu o cargo de diretor o médico pediatra Dr. Gentil Pacheco, sendo posteriormente substituído pelo Dr. Nilo Lisboa Chavasco, eminente cirurgião. Em junho 1916 através de um convenio assinado, foi decidido entregar o serviço de enfermagem ás irmãs de Caridade da Imaculada Conceição. Em assembleia de 28 de janeiro de 1917 foi a diretoria autorizada a construir um pavilhão para os aposentos das irmãs iniciando assim neste período a construção e tais bem como de uma farmácia para a entidade

  
Com o crescimento do hospital as necessidades também aumentaram e o local ficou pequeno, precisando de uma local maior vez que não atendia mais a população satisfatoriamente. Era classificado em 1933 como um prédio antigo, mal dividido e mal construído, “muito deixavam a desejar, todas as suas dependências. Foi por esse motivo, que a nova directoria, após meticuloso estudo deliberou construir um novo prédio.” Jornal o Liberal 1 de janeiro de 1933. No entanto, devo ressaltar aqui exagero de tal redator, talvez na justificativa da construção de um novo prédio, deveria depreciar o existente, relatos descrevem ao contrário, o Jornal o Movimento publica em 18 de março de 1928 o seguinte: “O Hospital S. Vicente de Paulo, benemérita instituição de caridade local, que relevantes serviços vem prestando à nossa população, acaba de adquirir material cirúrgico indispensável a boa execução dos serviços hospitalares. Ultimamente, já têm feito ali innumeras operações, quase todas de alta cirurgia, não havendo siquer um mau exito a constatar.”. O Provedor da época era José Maria do Amaral.
Em 1929 o provedor da época Mario de Aguiar Pupo, contanto com o apoio de Elizeu Augusto Teixeira, Luiz Chiaradia e Carlos Schmidt de Barros lançou nova campanha contando com a sensibilidade da população e dos donos de lavoura, solicitando novas contribuições para a construção de um novo hospital, tal situação foi bem-sucedida. O novo hospital seria dividido em três andares. Siqueira em sua obra descreve: “ Apesar de suas mil hipóteses, não é facultado ao homem prever a incógnita do futuro, e ao provedor Mario de Aguiar Pupo, que assumiu o cargo em 1929, estava reservada a complicada e urgente tarefa de evolucionar em toda a sua estrutura as disposições hospitalares.” 
A obra foi projetada de maneira graciosa pelo engenheiro Dr. Luiz M. Resende Peuch tendo como administrador da obra o senhor Dr. José Alves Aranha sendo a pedra fundamental lançada em 18 de outubro de 1931 sendo os executores da obra os senhores Gennarino Di Lello e Francisco Michele.
Como a obra seria executada no mesmo local do antigo hospital este foi sendo demolido paulatinamente assim que as obras avançavam.         
 

 
  
 Além das doações o hospital também realizava sorteios de bens e tômbolas para angariar fundos, tentava de todas as formas arrecadar os recursos financeiros para a construção de uma obra que até então era ambiciosa para o município.


Sendo a ala esquerda do hospital inaugurada em 1 de janeiro de 1933 as 2 horas e trinta minutos que consistia em uma procissão que tinha como ponto inicial a Igreja Matriz onde o padre José Maria da Silva Paes ao chegar ao Hospital Casa Pia São Vicente de Paulo faria sua benção. “Povo de São Manuel! Não deveis faltar a essa empolgante inauguração. Ficareis maravilhado com a obra gigantesca do hospital, o que representa apenas um terço daquilo que vai ser o maior orgulho nosso.” Desta forma empolgada o Jornal O Liberal convoca a todos.

O livro comemorativo aos 108 anos da cidade descreveu que as obras do Hospital como conhecemos hoje foram concluídas em agosto de 1953, sendo construído 4772 metros quadrados. Foi uma grandiosa obra.
Destaque-se o auxílio financeiro importante de José Manuel Pupo e das Irmãs Cintra, dentre várias doações importantes também Siqueira destaca: “ (...) e procedente do inventário das irmãs Valeriana, Jacinta e Delfina Campos Cintra, Cr$1.989.560,00 ofertado por Jose Manuel Pupo, Legatário daquele arrolamento, que num gesto filantrópico renunciou àquele alto valor destinando-se ao socorro dos necessitados”. Diante deste gestou em assembleia realizado em 28 de janeiro de 1945, Jose Manuel Pupo recebeu o título de presidente vitalício da Casa Pia São Vicente de Paulo.
 
 A família Cintra era do Município de Amparo, as irmãs Cintra eram sobrinhas do Barão de Campinas, bastante abastadas ajudaram também outras entidades como o Hospital de São Paulo, a criação do Hospital Ana Cintra em Amparo.
Delfina Cintra, Jacintha Cintra que foi tesoureira da Irmandade Coração de Jesus em Amparo e Valeriana Cintra juntamente com Jose Manuel Pupo foram grandes incentivadores a construção do novo hospital.
As irmãs Cintra tinham como irmãos: 
O Coronel Joaquim Manuel de Campos Pinto que faleceu aos 75 anos de idade no dia 26 de junho de 1906, era grande lavrador em Itapira natural de Amparo, casado com Maria B. de Araujo Pinto tendo os filhos Etelvina Pinto da Rocha Campos que era casada com o advogado Arlindo da Rocha Campos e José Manuel Cintra que era lavrador em Bauru, casado com Irene Lion Cintra;
Joao Batista de Campos Cintra casado com Maria do Carmo Cintra falecida em 3 de agosto de 1919;
Anna Bernardina de Campos casada com Joaquim Ignacio da Silveira;
Elysea de Campos Vergueiro casada com Arthur Nicolau Verguerio;
Maria da Silveira Pupo casada com Ignacio da Silveira Paupo;
José Ignácio de Campos Cintra casado com  Francisca Scares Cintra;
Sebastião de Campos Cintra.
Não consta em nenhum relato que a três irmãs se casaram o que ressalta a hipótese de tais viverem solteiras até o fim da vida ainda, ressalte-se que uma delas era noviça. 
  



 

Em 1985 um incêndio destruiu parcialmente o prédio, assim se mobilizou toda a comunidade novamente para a reconstrução do prédio que perdurou por 2 anos.


Deve-se aqui ressaltar o esforço de pessoas que realmente pensaram no município. A construção deste hospital é sobretudo uma obra social que perpetua até hoje oferecendo a caridade aos são-manuelenses.

Não ressaltar nomes a este opúsculo seria uma heresia, vez que a construção desta obra se sobrepõe as paredes, é mais que isso. É uma história contada com muita envergadura de cidadãos que fizeram e fazem um sonho mais que social, mais que da alma, transpõem os horizontes da dignidade humana. Na verdade, é uma história que acalenta, acomoda mesmo o ser humano com toda caridade do coração. É uma história que começamos pelo meio, contamos o começo, e espero que nunca tenha um fim, simplesmente que tenha o fim da assistência. Aos nomes, as pessoas devemos ressaltar um conjunto que se tornou único, o conjunto chamado população que unida construiu sem sombra de dúvidas o maior exemplo de humanidade que um local pode ter. A estes bravos, gratidão somente não basta é necessário reconhecimento.